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12.12.14

134. a cidade pequena é cosmopolita

poucos meses na cidade pequena me habilitam a esta sorte de constatação. um evento cotidiano pode ser ilustrativo aos descrentes:
rodoviária da cidade pequena, domingo à meia-noite. na fila de embarque, os seguintes cidadãos entregam o bilhete ao motorista: mulher muçulmana com véu enrolado nos cabelos; casal gay que se beija apaixonadamente em função da despedida; grupinho de jovens do tipo tropicalista-cabelo-ao-vento-gente-jovem-reunida, que aparentemente se comunicava por meio de frases acompanhadas pelo violão; eu e o desenho.

21.9.14

133.

embora fosse imensamente caricatural, o grande e desengonçado historiador, com aqueles seus sebosos cabelos caindo-lhe nos ombros, era sincero e crente.
naquele dia ele caminhava atento na mais larga rua para pedestres da cidade, atento a algo de que apenas ele tinha conhecimento. talvez atento a algo que lhe haviam dito e que ainda remoía, ressentido. os olhos fixos no chão que se movia sob seus pés, é bem provável que ele sequer percebesse tudo o que corria a sua frente - os papeis oferecendo aparelhos dentários, os pequeníssimos fragmentos de folhas de árvores, as guimbas de cigarro levemente marcadas de batom.
na quadra seguinte esbarrou com um conhecido e rapidamente deixou-o a par de seu último artigo publicado. sua existência deveria ser entendida por todos como dedicada ao seu trabalho, seu adorado trabalho, a que se entregava por horas sofridas de seus longos e estúpidos dias. acreditava piamente em sua rígida disciplina de trabalho, todos os dias escrevia 5 páginas, mesmo que não precisasse. sua escrita era pomposa e riquíssima em detalhes desnecessários, o que provavelmente causaria nos outros uma impressão de seriedade e distinção acadêmica. o historiador lia com deleite todos os autores que utilizassem um linguajar afrancesado. quem sabe isso seria herança da instituição que o formou...

132.

pacífico lavou, estendeu e passou os próprios lençois por três vezes em uma mesma semana. nunca estavam perfeitamente limpos. índico notou e achou o amigo demasiado exigente, mas nada disse para não se comprometer com nenhuma opinião. ademais, era sempre pacífico que recolhia as louças que ele deixava pela casa.
ártico obteve uma grande conquista, mas ninguém quis demonstrar contentamento com isso, pois o amigo costumava tornar-se arrogante. ártico sentiu-se ignorado e resolveu que tornaria ainda mais evidentes todos os seus ganhos.
atlântico ficou em casa lendo um livro. ninguém se importou, a não ser antártico, que reparou no título do livro e ficou curioso. antártico surpreendeu atlântico com um beijo na boca. ninguém mais viu. antártico não teve nenhuma culpa, mas sentiu-se culpado e trancou-se no quarto por 7 dias e 7 noites. na última delas, atlântico foi encontrá-lo em seus aposentos.

131. cidade pequena, cidade grande - texto 2

a sexta-feira à noite da cidade pequena é deveras diferente da sexta-feira à noite na cidade grande, mas não se engane aquele que imagina que não há nada para fazer. na cidade pequena as distâncias são menores e você vai a todo lugar com os próprios pés. e foi assim que me dirigi, na sexta-feira à noite, a um bistrô / bar de culinária hispânica, onde bebi vinho e comi pizza (mas com sabores do mediterrâneo).
no caminho havia poucas pessoas na rua. uma das características da cidade pequena é ter mais cães sem dono soltos nas ruas do que transeuntes em busca de diversão. nas poucas quadras que caminhei até meu destino, três estabelecimentos me chamaram a atenção. o primeiro era um snooker repleto de homens bebendo sua cachacinha e jogando sinuca. o bar tinha jeito de ser daqueles que virava a noite com seus habitués. o segundo estabelecimento era o rotary club. dava pra perceber alguma movimentação lá dentro, algumas luzes acesas, mas sem dúvida não se comparava ao agito em que se encontrava um dos museus chiques da cidade (o terceiro "estabelecimento"), onde uma reunião social ocorria animadamente. de fora, eu podia ver os charmosos lustres de cristal em pleno uso, os flashes atingindo rostos supermaquiados de senhoras que seguravam taças de champagne. pessoas bem vestidas e perfumadas se aglomeravam lá dentro, com rostos felizes e conversações polidas. acredito que o convescote era somente para convidados, segui até o meu próprio destino.

20.9.14

130. a rodoviária de baudelaire

quando estou na cidade pequena, sempre me pergunto qual seria a opinião de baudelaire sobre a vida que se leva em seus limites. ainda não conheço plenamente os limites da cidade pequena, mas desconfio seriamente que eles existem.

tanto na cidade pequena quando na grande, talvez existam poucos ambientes mais interessantes e rebuscados do que uma rodoviária. a possível exceção são os ônibus que chegam e partem dela diariamente. na rodoviária nós podemos ver as pessoas. nós podemos ver as pessoas não como as vemos numa praça, ou andando na rua. nós vemos as pessoas que, por uma razão ou outra, precisam deixar uma cidade. em um período limitado de tempo nós temos contato direto com fragmentos inusitados da vida alheia. a rodoviária, um dos ambientes mais baudelaireanamente modernos que se encontra ao redor do mundo, seja numa cidade pequena, seja numa cidade grande, nos remete ao fugidio, ao transitório, ao anônimo, ao desconhecido. e, contraditoriamente, nos arremessa para o interior da intimidade de pessoas estranhas, as quais, assim esperamos, nunca mais voltaremos a encontrar.

o cenário desses encontros cheira a fumaça e fritura e a mim parece o pano de fundo ideal para anonimamente escutar partes de conversas, captar trechos da vida dos outros.

rodoviária de uma pequena cidade que eu pensava ser maior do que de fato o era, meio-dia. ouço dois homens conversando na mesa de trás. um deles havia ido para uma cidade grande no fim-de-semana e um de seus objetivos era cometer adultério. achei curioso que o adultério devesse ser cometido na outra cidade. o homem contou uma história, na qual dificilmente se poderia acreditar, em que a mulher o levou para tomar um café num local cuja conta acabou em 72 reais. em função do alto valor, com o qual ele arcou sozinho, não pôde levá-la a um motel, muito embora ela o quisesse mais do que tudo. diante das investidas da mulher, o homem teria respondido, simplesmente, que não tinha mais dinheiro.

o companheiro para quem a história era relatada parece ter ficado sinceramente ofendido com o comportamento do amigo, tendo sido inadmissível, para ele, que um homem dissesse a uma mulher que não poderia levá-la a um motel por não ter mais dinheiro. o companheiro melindrado pedia que o outro, o adúltero, não se dissesse mais seu amigo porque, aparentemente, isso poderia jogar definitivamente seu nome na lama. o aspirante a adúltero, diante das reprimendas do amigo, mudava várias vezes a narrativa, a fim de se adequar ao padrão de comportamento esperado pelo outro. já não era mais por falta de dinheiro que ele não levara a mulher ao motel, mas sim porque ela "tinha bafo", por exemplo.

o amigo do aspirante a adúltero exercia uma grande influência sobre ele e provavelmente foi quem o convenceu a ir para a cidade grande em busca de aventuras sexuais. o aspirante, inseguro e provinciano (assim como seu amigo), fazia todo o possível para provar sua masculinidade. os critérios para ser visto como um homem me soaram ligeiramente arbitrários, estabelecidos pelo amigo influente, e não inteiramente compreendidos pelo outro. códigos de ética masculina contraditórios conviviam na relação entre os dois, mas a necessidade de contar histórias notavelmente falsas que deveriam ser aceitas como verdadeiras parece ser um aspecto comum no convívio entre os dois.

outro ponto digno de nota no relato sobre a tentativa malfadada de adultério é o modo como a cidade grande é narrada. em momento algum pareceu irritantemente falso o fato de uma conta de café ter custado 72 reais. é como se fosse possível contar histórias exageradas acerca da cidade grande.

também não diminuía a masculinidade dos amigos o fato de que esperavam cometer adultério fazendo uso de pílulas azuis.

19.9.14

129. cidade pequena, cidade grande - texto 1


os habitantes da cidade pequena geralmente vangloriam-se de características do local onde vivem supostamente adoradas por todos. eles imaginam que todos gostam, por exemplo, do fato de todo mundo se conhecer e de todos cumprimentarem a todos diariamente. é como se o anonimato da cidade grande fosse indesejável. a cidade pequena se pensa acolhedora em função de todos se conhecerem, como se não fosse acolhedora a possibilidade de estar só. há uma tranquilidade socialmente reconhecida na cidade pequena, mas a tranquilidade do anonimato, da possibilidade da solidão, da livre escolha dos vínculos que a cidade grande confere em geral não é reconhecida como tal.
os habitantes da cidade pequena têm seus assuntos favoritos. um deles, é claro, é o tempo. muitas conversas começam com um comentário: “esfriou”. a cidade pequena é acolhedora porque as pessoas sempre estão dispostas a conversar umas com as outras. boa parte das conversas, contudo, estão restritas a esta sorte de constatação meteorológica que, ademais, nem sempre é compartilhada por todos os interlocutores. em boa parte das vezes em que os habitantes da cidade pequena me interpelam com algum comentário a respeito da suposta queda abrupta da temperatura eu não penso que esteja realmente frio ou que a temperatura efetivamente caiu. de todo modo, creio não ser polido discordar a respeito de tão trivial questão.

17.1.12

128. à meia-noite levarei sua alma

acho que ainda vou precisar de muito tempo para compreender a complexa genialidade de zé do caixão. assisti hoje a seu primeiro filme, de 1964.
em que se baseia o sistema de valores de zé do caixão? como a ausência da fé em uma divindade leva à recusa a aderir a um sistema ético laico? o que simboliza a busca pela mulher perfeita para gerar uma prole diante da ausência de deus?
são questões que permanecerão sem respostas, pois a crítica ainda não é capaz de formular uma interpretação razoável a tão sofisticado enredo.

3.3.11

127. experiência antropológica

esta semana estou dando aulas em cachoeirinha.
embora tenha me apegado a algumas crianças da quinta série, mas especialmente às da sexta, não estou gostando.
uma amiga me ensinou na véspera do meu primeiro dia: utilize os ensinamentos da supernanny e do encantador de cães. eu acho que a supernanny está correta nas suas aplicações behavioristas totalmente out na faced. mas acho isso cansativo demais. a criança não quer ficar sentada, você pega a criança pelo braço e a coloca de novo no banquinho. ela levanta. você pega ela pelo braço e a coloca de novo no banquinho. ela levanta. você pega ela pelo braço e a coloca de novo no banquinho. e assim por diante, indefinidamente.
sempre que eu assistia a supernanny eu pensava que em alguns casos o melhor seria os pais desistirem de seus fihos pentelhos e começarem tudo de novo, do zero. recuperar seria muito trabalhoso.
bom, dar aulas pra quinta série é ter 30 destes durante duas horas. e ter de levar todos eles até suas classes e sentá-los, tantas quantas forem as vezes que eles levantarem. e eles fazem isso juntos. é como um daqueles jogos de atari, tu recolhe um, já tem outros 30 saindo do lugar de novo.
eu pretendia tomar isso como uma experiência antropológica, mas, na verdade, eu estou odiando. espero nunca mais ter de aulas pra crianças de novo.

22.2.11

126. coisas de que eu preciso para o carnaval

- internet
- tv a cabo
- que arrumem o quarto pra mim
- que me sirvam o café com bastante variedade
- frigobar

15.2.11

125. outro filme do ben stiller

2009 - Uma noite no museu 2 (Night at the museum: Battle of the Smithsonian)
2008 - Madagascar 2 (Madagascar: Escape 2 Africa) (voz)
2008 - Trovão tropical (Tropic thunder)
2008 - Marc Pease experience, The
2007 - Elmo's Christmas countdown (TV)
2007 - Antes só do que mal casado (Heartbreak kid, The)
2006 - Danny Roane: First time director
2006 - Tenacious D in: The pick of destiny
2006 - Escola de idiotas (School for scoundrels)
2006 - Uma noite no museu (Night at the museum)
2005 - Madagascar (Madagascar) (voz)
2004 - Sledge: The untold story
2004 - O âncora - A lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The legend of Ron Burgundy)
2004 - Com a bola toda (Dodgeball: A true underdog story)
2004 - A inveja mata (Envy)
2004 - Starsky & Hutch - Justiça em dobro (Starsky & Hutch)
2004 - Entrando numa fria maior ainda (Meet the Fockers)
2004 - Quero ficar com Polly (Along came Polly)
2003 - Nobody knows anything
2003 - Duplex (Duplex)
2002 - Correndo atrás do diploma (Orange County)
2002 - Run Ronnie Run!
2002 - You'll never wiez in this town again
2001 - Os excêntricos Tenenbaums (Royal Tenenbaums, The)
2001 - Zoolander (Zoolander)
2000 - Mission Improbable (TV)
2000 - Produção Independente (Independent, The)
2000 - Entrando numa fria (Meet the parents)
2000 - Preto e branco (Black and white)
2000 - Tenha fé (Keeping the Faith)
1999 - The Suburbans - O recomeço (Suburbans, The)
1999 - Heróis muito loucos (Mystery Men)
1998 - Uma vida alucinante (Permanent midnight)
1998 - Seus amigos, seus vizinhos (Your friends & neighbors)
1998 - Quem vai ficar com Mary? (There's something about Mary)
1998 - Efeito zero (Zero effect)
1996 - O pentelho (Cable guy, The)
1996 - Procurando encrenca (Flirting with disaster)
1996 - Lado a lado com o amor (If Lucy fell)
1996 - Um maluco no golfe (Happy Gilmore)
1995 - Turma da pesada (Heavyweights)
1994 - Caindo na real (Reality bites)
1992 - Highway to Hell
1990 - A sorte no lixo (Working Tra$h) (TV)
1990 - Stella - Uma prova de amor (Stella)
1989 - Elvis stories
1989 - Marcados pelo ódio (Next of Kin)
1988 - Obsessão (Fresh horses)
1987 - Império do sol (Empire of the sun)
1987 - Hot pursuit
1987 - House of blue leaves, The (TV)

11.1.11

124. telefonema estranho

desde que temos nosso número de telefone atual, fiz o seu bloqueio no site do procon pra evitar que empresas de telemarketing fiquem enchendo o saco.
assim mesmo, de vez em quando recebo algumas ligações não identificadas, que me impedem de fazer a devida denúncia. hoje, pontualmente às 9 horas, me ligou o número 51 21080600. eles me perguntavam se eu era anísio bernardin. se eu fosse, devia discar 1. se eu conhecesse, devia discar 2. se eu não fosse nem conhecesse, devia discar 3. em seguida, a ligação foi interrompida, sem nenhuma identificação.
fiz a denúncia mesmo sem saber de quem era. e resolvi postar aqui pra quem, como eu, resolver procurar o número do google quando receber o mesmo tipo de telefonema.

13.8.10

122. grande lotte lenya

121.

era uma vez, cinco amigos: ártico, antártico, pacífico, atlântico e índico. de todos, atlântico era o mais garboso. apesar de todos o serem, índico era o mais proparoxítono. e ártico era o chato do grupo. sobre os outros dois ainda são desconhecidas as principais características.
certa vez, ártico mostrou o seu lattes para os outros e todos o acharam inconveniente e ridículo.
pacífico lavou a roupa dos cinco amigos e colocou tudo direitinho para secar. ele era gentil e cuidadoso, e sempre lavava a roupa de todos sem cobranças ou má vontade.
ártico frequentemente estava de má vontade e certa vez foi visitar os outros amigos de cara feia. todos o acharam inconveniente e ridículo. ele chegou a discutir com a mãe de antártico em um almoço de família.
pacífico se descuidou e estragou a corda de estender roupa. chorou aquela tarde como se tivesse perdido um grande amor. índico viu, mas fez que não reparou. achou estranho e não quis assumir nenhuma responsabilidade.
antártico ligou para sua mãe uma tarde, mas ela não atendeu. ele sabia que ela provavelmente estava em casa, mas não atendera de propósito, mesmo sem saber que era ele. isso não tinha nada a ver com as gafes de ártico, pois ninguém ligava para ele de verdade.
atlântico comprou uma bonita bota de inverno e todos gostaram, menos ártico, que também desejava secretamente uma bota de inverno. ao menos, a partir daquele momento, passou a desejar. cada vez que atlântico calçava sua bota, ártico sentia uma forte pressão no peito e uma queimação atrás dos olhos.

12.8.10

120. 101 coisas para fazer em 1001 dias

pretendo realizar 101 coisas em 1001 dias, começando amanhã, sexta-feira 13 de agosto e finalizando também numa sexta-feira, 10 de maio de 2013. achei que a data ficou super cabalística. em vez de 2010, ficou dia 10. em vez de dia 13, ficou 2013. as duas datas são sextas-feiras. os meses não têm nada a ver.
obviamente isso vai mudar ao longo do tempo, então deixei 11 espaços em branco para poder acrescentar coisas com o tempo. talvez algumas delas caiam fora. o que for concluído vai ser riscado.
é bem provável que em duas semanas eu esqueça que fiz esta lista.
o critério é que as tarefas sejam específicas, realistas e mensuráveis.
quem quiser ver quem adaptou a ideia para o brasil, clique aqui.

saúde e bem estar:

1. fazer academia por pelo menos 3 meses sem largar
2. comprar frutas uma vez por mês (e comê-las)
3. beber pelo menos 4 copos de água por dia por 1 mês
4. fazer uma arte marcial

mudanças de hábito:

5. comprar frutas e verduras na feira pelo menos 1 vez por mês por pelo menos 6 meses
6. ficar uma semana sem comer nada de chocolate
7. utilizar mais os princípios do wu-wei
8. ficar pelo menos um mês sem deixar livros e roupas jogadas no quarto
9. ficar pelo menos um mês sem deixar louças espalhadas pela casa
10. passar filtro solar todos os dias por pelo menos um mês
11. lembrar de preparar salada (e comer) todos os dias por, pelo menos, um mês
12. não me incomodar com a vizinha chata por pelo menos 1 mês
13. acordar às 8 e meia todos os dias úteis durante 1 mês

aprendizado:

14. aprender a costurar
15. desenhar pelo menos uma pessoa por semana por pelo menos 3 meses
16. aprender inglês
17. aprender aquarela (sozinha ou com um curso)
18. aprender a melhorar desenhos no computador, independente dos programas necessários pra isso
19. conhecer profundamente as obras de, pelo menos, 5 clássicos do jazz (0/5)

compras:

20. comprar um aparelho de DVD para olhar séries no quarto
21. comprar um scanner
22. comprar duas confortáveis poltronas para a sala de estar
23. comprar algum souvenir do zequinha
24. descobrir um perfume legal e comprar
25. comprar um hd externo
26. comprar - e manter com bateria, tentando levar comigo - um celular
27. comprar um mp3
28. comprar uma panela de pressão (e usar)

casa e organização:

29. colocar os quadros na parede do apartamento
30. fazer duas saídas de gás, uma para o fogão, outra para o chveiro (ou pagar alguém que faça)
31. colocar os lustres em todas as peças do apartamento
32. manter a escrivaninha organizada por 1 mês
33. obter os vídeos que tem eu e o desenho crianças e passar pra DVD
34. fazer um jardinzinho nas sacadas e tentar manter as plantas vivas por pelo menos 3 meses
35. fazer um móvel para organizar os livros bacanas e porta-retratos (mandar fazer)
36. organizar em um quadro ou porta-retratos as fotos lúdicas em que aparecem eu e o desenho crianças
37. organizar os panfletos e cartões de visita deixados na caixinha de correio
38. colocar os acabamentos nos banheiros do apartamento
39. colocar azulejos retrô no lavabo
40. iniciar uma horta de temperos (e mantê-los vivos por pelo menos 3 meses)
41. colocar moldura no quadro do maradona e nos outros de buenos aires
42. mandar reformar o quadro do meu pai e colocá-lo na sala de jantar
43. dar um destino a tudo o que ainda está na casa da minha mãe
44. comprar uma nova jarra para a cafeteira
45. consertar o atari
46. colocar um espelho no banheiro
47. tirar o pó das estantes e dos livros pelo menos uma vez a cada 6 meses
48. passar jimo em todos os móveis de madeira da casa uma vez por ano, no inverno
49. terminar de catalogar todos os livros
50. organizar os arquivos de TODOS os computadores (o meu, o do desenho, o notebook e os dois velhos que não mais funcionam), deletando o que não for mais necessário e dando destino ao que ainda presta
51. montar uma estação de trabalho para fazer os meus desenhos
52. passar o aspirador em todo o apartamento toda semana por pelo menos 3 meses

hobbies e lazer

53. terminar de ver a novela tieta
54. assistir pulp fiction
55. levar a marina em uma festa
56. escrever pelo menos uma história em quadrinhos
57. fazer um álbum de fotografias da viagem ao rio de janeiro
58. reformar pelo menos 3 móveis (0/3)
59. fazer um caderno de receitas customizado
60. ler 3 livros recomendados pelo mário (0/3)
61. terminar de ler "o homem sem qualidades"
62. fazer um abajur
63. criar uma fotonovela
64. escrever um artigo sobre seriados negros norte-americanos, com classificações
65. jantar em pelo menos 3 restaurantes onde nunca estive (todos em porto alegre) (2/3)
66. assistir a todas as temporadas de the big bang theory que saírem até o fim do projeto
67. assistir a todas as temporadas de two and a half men que saírem até o final do projeto
68. assistir a todas as temporadas de everybody hates chris que saírem até o final do projeto
69. fazer uma escultura

viagens:

70. conhecer nova iorque
71. conhecer três cidades brasileiras que ainda não conheço (0/3)
72. voltar a buenos aires
73. fazer turismo de estádios em pelo menos 3 cidades (0/3)
74. conhecer montevideo
75. passar um reveillon em são paulo
76. voltar ao rio de janeiro e vivenciar tudo como se fosse uma novela

metas e desafios:

77. ter um "amigo internacional"ou receber um estudante de intercâmbio
78. assistir a todos os filmes de woody allen
79. colocar pelo menos 50 reais na poupança todo mês (2010/2011/2012/2013)
80. aprender um prato novo todos os meses por pelo menos seis meses (0/6)
81. me hospedar em um hotel em porto alegre (e ir de táxi)
82. dizer "oi" pro júlio e pra regina
83. ler 3 livros em inglês em um ano (0/3)
84. aprender 5 receitas que possam ser servidas em ocasiões especiais, independente do nível de dificuldade (0/5)

profissional:

85. escrever pelo menos 3 capítulos da tese de doutorado
86. publicar minha dissertação de mestrado (ou, pelo menos, revisá-la para isso)
87. escrever um artigo sobre literatura
88. ter mais disciplina de trabalho - ir ao arquivo todos os dias úteis por pelo menos 1 mês

por fim:

89. tarefa secreta
90. decidir se quero fazer isso de novo.

9.8.10

119. graphic novels

estou terminando de ler persépolis.
não tinha muita vontade de ler particularmente esta graphic novel, não sei bem o porquê. acho que porque tudo o que eu tinha ouvido falar, ao menos sobre o filme, era sobre a revolução iraniana.
bom, eu até, como historiadora, me interesso pela revolução iraniana, mas estava com um certo ranço porque queria que os quadrinhos tivessem um outro sentido pra mim, distinto da minha profissão. tenho conhecido muita gente chata na minha profissão e só de pensar em história me sinto um pouco constrangida e incomodada.
mas o que me surpreendeu é que ela é mais uma graphic novel com caráter autobiográfico e cotidiano. bem, na verdade disso eu já sabia - já sabia que era a história de vida da própria moça que escreveu. mas fiquei bastante surpresa, positivamente, com o modo como ela descreveu a própria vida, ainda mais porque, ainda que cotidiana, a gente tem de concordar que o cotidiano em um país em guerra é bastante "diferente". as outras graphic novels que eu tinha lido, que têm esse mesmo tom autobiográfico, falam da vida de pessoas, embora em desacordo com o restante do mundo, muito comuns. tá, isso não é uma coisa ruim, mas é bastante simples ocorrer alguma identificação com essas pessoas. o estranho é se identificar com uma iraniana, sendo que tu não passa de uma brasileira.
a marjane satrapi, autora do livro, é muitíssimo feliz em descrever o encontro de culturas distintas. ela foi criada no irã, mas num irã até certo ponto ocidentalizado. ela estudava numa escola laica francesa, por exemplo. quando a revolução acontece, muitas pessoas são presas e perseguidas, inclusive parentes e amigos dela. muitos são executados. então, começa a guerra contra o iraque e teerã é bombardeada muitas vezes. a vizinha dela morre num desses bombardeios. aos 14 anos, os pais acham melhor mandá-la pra estudar na europa, antes que se meta em alguma confusão. então, ela se torna uma iraniana, com hábitos tradicionalistas (sobre relacionamentos, por exemplo), em viena. e uma estrangeira na europa. obviamente, ninguém está nem um pouco interessado nela. por outro lado, enquanto ela procura se integrar aos hábitos ocidentais, indo a festinhas, lendo sobre autores anarquistas e existencialistas e fumando maconha, se sente culpada e fútil ao ver as notícias de seu país em guerra. sente que abandonou seus pais pra viver uma vida despreocupada e falsamente politizada na europa.
quando retorna ao irã, porém, também não consegue se integrar novamente. suas amigas pensam que ela é uma puta por já ter tido algumas experiências sexuais e não consegue viver sob as normas fundamentalistas que o estado lhe impõe. ela é uma mulher independente, que, mais uma vez, não encontra seu lugar.
achei muito legal porque talvez ela tenha - não necessariamente de propósito - explicitado um pouco dessas experiências na fronteira entre culturas. quer dizer, nem sempre o problema dela na europa estava relacionado a algum tipo de preconceito dos europeus contra os iranianos terceiro-mundistas. muitas vezes era só o modo como os europeus enquadravam as questões políticas, que evidentemente não poderia ser o mesmo modo que ela enquadrava, já que o país dela estava em guerra etc etc etc.
tenho discutido com o desenho como as graphic novels são lugares privilegiados pra gente entender coisas. diferente de um romance mesmo, só em texto, ou de um filme, um romance em quadrinhos proporciona um outro tipo de envolvimento com os personagens. bom, talvez proporcione apenas a mim, mas o fato é que a forma de narrar se torna outra, necessariamente. o que vai no texto e o que vai no desenho são coisas diferentes e complementares... eu acho que a pessoa tem de ser muito, mas muito boa pra conseguir fazer uma coisa dessas, e ainda manter a singeleza e a complexidade dos acontecimentos.
o fun home, da alison bechdel, por exemplo, cita diversos autores como tentativa de compreender a própria história e a do pai, que era homossexual e enrustido e depois se matou. mas esses autores não aparecem de modo maçante, como a academia e os chatos da academia gostam de fazê-los aparecer. eles estão totalmente integrados a um texto que narra uma história de vida e a desenhos que também têm o mesmo papel.
fiquei cobiçando escrever alguma história (pequena) deste tipo.

2.8.10

118. everybody hates chris

estou meio que viciada neste seriado. e estou apaixonada pelo chris rock.
já tinha visto algum filme muito trouxa dele e não tinha gostado, apesar dele ser super gatinho. mas agora que amo o everybody hates chris e vi que é dele, comecei a gostar dele de um outro jeito.
faz algum tempo que acompanho seriados negros americanos, embora sem nenhuma sistemática. acho que esse é imensamente feliz no trato do preconceito: é um tema complicadíssimo e que, se tratado de maneira conveniente, dificilmente pode ser engraçado, na minha opinião. quer dizer, é um assunto duro de manter sério, ao mesmo tempo em que tenha uma proposta de humor.
mas o chris rock, pelo menos tudo o que vi até agora, é imensamente sensível e doce, com um bom humor de alto nível. ele é engraçadíssimo, mas as situações engraçadas do seriado não te fazem achar que não houve alguma dor ou sofrimento.
correndo o risco de que ela leia isso, acho que a minha mãe é muito parecida com a mãe do chris (sim, margarida, tu grita demais). eu me identifico imensamente com os assuntos tratados nos episódios, inclusive algumas coisas pras quais às vezes meus colegas historiadores se mostraram muito pouco sensíveis.
uma delas é sobre ser pobre. eu lembro que quando entrei na faculdade tinha sérias dificuldades pra fazer certas coisas porque, well, eu morava em ALVORADA e trabalhava no turno da tarde. não gosto de fazer chororô de memórias, basta enfatizar que em diversos momentos me envolvi em situações em que as dificuldades inerentes ao local onde eu vivia ou à situação econômica da minha família não eram compreendidas satisfatoriamente. e eu acho que o chris ganha justamente nisso: sem fazer chororô de sua própria condição, ele aponta todos os momentos em que as coisas não eram tão simples. mas por não serem simples, não significa que fossem terríveis: eram boas, caralho.
outra coisa: sim, ele era negro e pobre e tinha uma família unida e bacana, com inúmeras imperfeições,  dificuldades financeiras e tal, mas uma família de que ele gostava. e ele era negro e pobre, mas sabia escrever com perícia, isso não era uma contradição. talvez muita gente não acredite, mas é verdade.
mais um ponto positivo: o cara pode ser pobre e ser soberbo e a sua família não querer se misturar com outros pobres. isso pode acontecer. e pode acontecer de o teu pai até poder fazer uma certa coisa pra ti, que seria legal pra ti se ele fizesse, mas tu não querer que ele faça por alguma estranha sensibilidade que te leva a considerar tudo o que ele JÁ FAZ e todas as dificuldades pelas quais ele passa e o quanto, por conta dele, tu pode ser alguém tão privilegiado em relação aos teus vizinhos. quer dizer, não é que ele próprio tenha se negado, mas tu mesmo reconhece que, diante de tudo o que ele faz e de tudo o que tu sabe sobre a tua própria família, tu sabe que não pode pedir mais isso a ele. nem que esse isso seja algo aparentemente ínfimo.
o chris mostra com muita sensibilidade todos esses momentos em que ele simplesmente decidiu compreender o pai dele, ou a mãe. em que toda uma história familiar vem à tona. e também que nada disso é ruim, meu. isso é ótimo, por isso é tão possível ser feliz, mesmo que a tua casa realmente feda a fábrica de sabão. fede, mas tu não faz chororô, não tem nada demais, tu teve uma ótima infância, ótimos pais - apesar dos gritos e maluquices, tu sabe que eles são boas pessoas e bem intencionadas e que fizeram de tudo pela tua educação, para garantir teu futuro.
o everybody hates chirs é o que há, no momento. não quis me comparar a um negro americano que vivia no bronx nos anos 80 e acho que isso ficou claro. a minha identidade é com as inúmeras situações familiares e escolares mais genéricas. ah, na real, não importa dizer qual é a minha identidade, apenas que há. não gosto de falar assim sobre a minha vida, justamente porque é o modo chato de falar da vida. o modo legal é o modo do chris: com senso de humor, rindo de si mesmo, com senso crítico também e com um fantástico entendimento sobre as posições das pessoas que te rodeavam. esse seriado é o que há.
e sobre preconceito: ele é o melhor de todos. chris rock, eu te amo. são pessoas reais que sofreram preconceito. basta dizer isso. pessoas que viviam coisas muito ruins, mas que reconheciam que seus pais viveram coisas piores, e se mostravam sensíveis a isso. quer dizer, ele dá conta de uma certa história familiar dessas vivências, mostrando a formação de um senso de união, de identidade.
chris rock é o que há.

14.7.10

117. surabaya johnny, do happy end

Surabaya Johnny
Ich war jung, Gott, erst sechzehn Jahre
Du kamest von Birma herauf
Und sagtest, ich solle mit dir gehen
Du kämest für alles auf
Ich fragte nach deiner Stellung
Du sagtest, so wahr ich hier steh
Du hättest zu tun mit der Eisenbahn
Und nichts zu tun mit der See
Du sagtest viel, Johnny
Kein Wort war wahr, Johnny
Du hast mich betrogen, Johnny, in der ersten Stund
Ich hasse dich so, Johnny
Wie du dastehst und grinst, Johnny
Nimm die Pfeife aus dem Maul, du Hund
Surabaya-Johnny, warum bist du so roh?
Surabaya-Johnny, mein Gott, ich liebe dich so
Surabaya-Johnny, warum bin ich nicht froh ?
Du hast kein Herz, Johnny, und ich liebe dich so
Zuerst war es immer Sonntag
So lang, bis ich mitging mit dir
Aber schon nach zwei Wochen
War dir nicht nichts mehr recht an mir
Hinauf und hinab durch den Pandschab
Den Fluss entlang bis zur See:
Ich sehe schon aus im Spiegel
Wie eine Vierzigjährige
Du wolltest nicht Liebe, Johnny
Du wolltest Geld, Johnny
Ich aber sah, Johnny, nur auf deinen Mund
Du verlangtest alles, Johnny
Ich gab dir mehr, Johnny
Nimm die Pfeife aus dem Maul, du Hund.
Surabaya-Johnny, warum bist du so roh ?
Surabaya-Johnny, mein Gott, ich liebe dich so
Surabaya-Johnny, warum bin ich nicht froh ?
Du hast kein Herz, Johnny, und ich liebe dich so
Ich hatte es nicht beachtet
Warum du den Namen hast
Aber an der ganzen langen Kste
Warst du ein bekannter Gast
Eines morgens in einem Sixpencebett
Werd ich donnern hren die See
Und du gehst, ohne etwas zu sagen
Und dein Schiff liegt unten am Kai
Du hast kein Herz, Johnny
Du bist ein Schuft, Johnny
Du gehst jetzt weg, Johnny, sag mir den Grund
Ich liebe dich doch, Johnny
Wie am ersten Tag, Johnny
Nimm die Pfeife aus dem Maul, du Hund
Surabaya-Johnny, warum bist du so roh ?
Surabaya-Johnny, mein Gott, ich liebe dich so
Surabaya-Johnny, warum bin ich nicht froh ?
Du hast kein Herz, Johnny, und ich liebe dich so

13.7.10

116. suspiria, 1977, dario argento

próxima quinta-feira, dia 15 de julho, às 21hs, aqui no telão do azulão: exibiremos "suspiria", de dario argento.

12.7.10

115.

eu não faço mais parte desta casa de gente louca e esquizofrênica.
não quero mais que venham até mim trazendo suas loucuras. quero me curar.