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6.7.10

113. a caça à raposa

a caça à raposa era o momento ideal para estreitar os vínculos com os ambiciosos filhos do barão. isso demonstrava interesse, por parte de reveillon, pelas seculares tradições britânicas. além disso, unia o trabalho à prática desportiva, criando um momento de agradável descontração no qual ele podia dar o bote.
conversa vai, conversa vem, uma raposa foi abocanhada por um perdigueiro. literalmente também. mas em sentido metafórico, reveillon, ágil e experiente perdigueiro, conseguiu se aproximar do filho do meio do barão de oxfordshire, ardiloso empresário em londres, uma raposa.
marcaram um jantar em um luxuoso restaurante francês da região - o filho do meio também reconhecia as tradições gastronômicas francesas.
já chegava o fim do jantar, a noite estava avançada, ambos bebericavam licores, quando...
- hahahaha - o filho do meio ria, um pouco confuso - eu ainda prefiro colocar leite no meu chá, sim, reveillon!
- então é verdade que há um quarto filho do barão que desapareceu há muitos anos?
- sim, é verdade... o que?! como você soube? seu... seu...

o filho do meio sentiu-se vilipendiado.

28.6.10

106.

cornichon e a família costumavam passar o fim do outono e o começo do inverno na casa de campo de reveillon, na baixa normandia. o outono era ameno e suave, ideal para reunirem-se, tratando de negócios e também do ócio do fim da estação.
desta vez, porém, reveillon esperava ainda uma ilustre presença, que talvez surpreenderia seus antigos convidados. seus negócios em sussex estavam prosperando. já havia chegado a hora.
na manhã seguinte ao suntuoso e perplexo jantar, porém, reveillon recebera cedo um telefonema de rye. a viscondessa de chichester exigia sua presença com urgência, pois tinha um assunto muito sério a ser tratado com ele. segundo ela lhe adiantara, tratava-se da doença do barão de oxfordshire. seus três filhos disputavam o controle majoritário das empresas, coisas do dia-a-dia. o ideal é que reveillon se tornasse íntimo de cada um deles.
sem esperar mais, reveillon tomou o primeiro trem. reencontrar a viscondesa de chichester era sempre magnífico. e, ardilosa como era, ela devia já estar ajeitando as devidas situações para o estabelecimento dos vínculos estreitos com a prole do barão de oxfordshire. ah, o reencontro com a viscondessa de chichester...

19.10.09

64. a volta do boi

não tenho mais nenhum interesse por esse boi que falou aqui em campinas.
o tal boi e o escravo que ouviu o boi foi uma história interessante, mas, pra mim, de um interesse momentâneo. genuíno, mas momentâneo.
agora, o barão, esse sim me interessa. a família do barão. as várias gerações que encheram o cu de grana. isso me interessa sobremaneira. os títulos nobiliárquicos me interessam. o barão fascina.

28.8.09

55. o boi falô

outra história lendária contada por andrea diz respeito ao "boi falô".
ao que consta, o barão geraldo teria mandado seu escravo toninho trabalhar com uma carreta de bois na sexta-feira santa (há controvérsias sobre o dia, pois também se supõe que possa ter sido no dia de bom jesus, em 6 de agosto).
o escravo obviamente não queria trabalhar pro barão e, como todo escravo que se preze, construiu uma estratégia para fazer com que o barão não mais quisesse que ele, toninho, trabalhasse. toninho entrou na mente do senhor e, sacando que a jogada mais certa era se valer do fato de que era dia santo para evitar o trabalho, inventou uma história de que o boi havia dito que não ia trabalhar por ser sexta-feira santa. ou seja, não era ele, toninho, que não queria trabalhar, mas o próprio boi havia sido atingido pela santidade do dia valendo-se da linguagem humana para expressar suas crenças cristãs.
algumas versões alegam que o feitor havia forçado toninho a trabalhar na porrada, como era de praxe, e que o boi teria falado diante do próprio feitor que, comovido, ajoelhou-se perante o animal e orou.
em outras versões, diz-se que logo a história se difundiu e naquele dia ninguém na fazenda trabalhou. todos, certamente, devem ter comemorado muito na senzala naquele dia, regozijando-se da belíssima sacada de toninho.
outras versões ainda afirmam veementemente que o barão, além de tudo, era homem descrente, mas que diante do fato incontestável do seu próprio boi lhe dar uma lição de moral, acabou se tornando cristão fervoroso.
a festa do "boi falô" ocorre até hoje em campinas, na sexta-feira santa, quando se serve uma deliciosa macarronada a todos os moradores da região. recentemente também foi realizado um documentário sobre a lenda e a festa do "boi falô", que coloco aí abaixo pra quem quiser ver.







o documentário e outras informações podem ser encontrados no site www.oboifalo.com.br

54. o barão

albino j. b. de oliveira não era genro do barão, mas sim seu sogro!
o barão casou-se com maria amélia barbosa de oliveira, filha justamente do conselheiro imperial acima citado! e, mais do que sogro e genro, ambos eram rivais. reza a lenda que a estrada de bambuzais não teria sido levada a cabo para que as albinas não tomassem sol, mas sim para que o barão não corresse o risco de avistar seu arquiinimigo e pai de sua esposa albino j.b. de oliveira, por sua vez proprietário da fazenda vizinha, a fazenda rio das pedras!

algumas fontes afirmam que o barão não teria se matado ingerindo veneno na sede da fazenda santa genebra após perder tudo, mas sim, teria sofrido um ataque cardíaco que o levou à morte ao se deparar com a desgraça que acometeu sua família no longínquo ano de 1907. a data precisa de sua morte é 01/10/1907. deve ter sofrido muito, já que pôs a perder todo o rechonchudo legado de sua rica e poderosa família: o barão geraldo foi um dos 16 filhos do marquês de valença.
ainda não desvendei o mistério sobre as filhas serem ou não albinas, nem se eram gêmeas, ou gêmeas siamesas. mas sei que o barão teve três filhas, amélia, marieta e elisa, sendo que apenas uma delas se casou, amélia. seriam marieta e elisa albinas e siamesas? a tal amélia, aliás, tornou-se escritora.
sobre a minha rua, também não obtive informações, mas ao menos descartei a possibilidade de se tratar de uma das albinas. luís vicentin, titular da rua do marcus, foi uma pessoa "bondosa". segundo uma de minhas fontes, ele teria sido "leiteiro, cachaceiro e benfeitor do distrito". foi ele que construiu a igrejinha perto da minha casa.

52. barão geraldo: o homem e o mito

desde que vim morar no barão geraldo, tenho curiosidade de saber quem foi o tal barão geraldo, como ele viveu e, sobretudo, se foi ele quem deu o brinco de ouro pra princesa.
pois, eis que esta semana andrea me revela informações contundentes a respeito do barão geraldo, não o bairro, mas o barão himself.
segundo ela, o tal barão tinha uma fazenda onde hoje é o bairro e, obviamente, era uma fazenda de café. sua história e a de sua família foi marcada pela tragédia, já que o barão faliu, perdeu tudo e, então, morreu de melancolia. uma de suas filhas albinas cometeu o suicídio.
achei particularmente interessante o fato de a história ser trágica e também o fato de o barão ter tido duas filhas albinas. cogitei que talvez fossem gêmeas, além de albinas, mas de acordo com andrea esta informação não procede. wagner, por sua vez, acha que seria ainda mais interessante se além de albinas e gêmeas, fossem gêmeas siamesas. de fato, seria. mas não é, e um forte sentimento empiricista tomou conta de mim, a ponto de desejar desvendar a verdade sobre o barão e sua família. fazer a crítica interna E externa das fontes e atingir o âmago da questão.

portanto, recorri ao google.

concordo que não foi a atitude que ranke recomendaria ao historiador, mas creio ter encontrado coisas peculiares, por exemplo, uma FOTO do próprio barão geraldo acompanhado de sua família na fazenda santa genebra, onde residia. seu nome completo era geraldo de souza rezende.
a foto foi encontrada num interessante blog que busca preservar a memória de campinas.


não sei se são meus olhos, mas não vejo nenhuma moça albina. talvez seja apenas uma lenda que envolve o homem. em todo caso, o google também me informou que o barão, embora não tenha morrido de melancolia, cometeu o suicídio após tudo perder. é claro que não se morre de melancolia num sentido literal, mas acho que o suicídio é uma prova cabal de que o homem não estava num momento de muita felicidade com a sua vida. a fazenda santa genebra foi a leilão e muitos imigrantes adquiriram lotes de terras, por isso hoje em dia há nomes de ruas como "luís vicentin" e outras coisas "vicentin".

outra história peculiar, desta vez contada pela andrea e não pelo google, diz respeito a uma das meninas supostamente albinas. uma delas teria se casado com o albino j. b. de oliveira (que hoje é nome da avenida no centro do barão). o mais engraçado é que a moça albina não se chamava "albina" e o seu marido não era albino, mas se chamava "albino". curioso, não? é pena que a foto, a princípio, desminta o boato sobre as filhas albinas.

22.8.09

43. foto perdida de pelotas

tendo em vista que hoje, ao que parece, definitivamente ressuscitei este blog, aproveitei para reler antigas postagens. entre elas, a postagem acerca da segunda viagem que fizemos a pelotas, em 2007. na ocasião, não cheguei a colocar fotos do passeio, provavelmente porque como não levamos máquina própria tivemos de esperar uma pessoa desconhecida que ficou com nossos emails nos enviar as fotos dela.
então, apenas para deixar registrado, e por um certo cinismo lúdico pelo ridículo da foto enfim localizada, colocá-la-ei logo aqui abaixo:
 
este monumento ao mau gosto foi tirado numa pedra que é um labirinto construído nos jardins do museu da baronesa. o marido da tal baronesa, certamente um barão, mandou fazer pra ela este sórdido divertimento em frente à casa. trata-se de uma grande pedra dentro da qual existem cavidades que podemos escalar até chegar ao topo. então, para chegar onde chegamos, tivemos de enfrentar uma longa e árdua jornada por dentro da pedra que poderia nos render uma conquista por termos enfrentado nossos medos mais claustrofóbicos.
talvez as coisas colocadas desta maneira heróica torne de certa forma perdoável nossa pose, nossas caras e nossos cabelos (estes últimos frutos da época em que o alexandre tinha abandonado o salão para abrir uma pet shop...).
romanticamente falando, também estamos muito titanic, se considerarmos que a pedra é alta.
é pena que a primeira visita à cidade de pelotas não tenha nenhum registro material, já que ocorreu num momento pré-máquinas digitais - ao menos na minha vida de pobreza e mendicância.