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Mostrando postagens com marcador barro da vida. Mostrar todas as postagens
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3.3.11

127. experiência antropológica

esta semana estou dando aulas em cachoeirinha.
embora tenha me apegado a algumas crianças da quinta série, mas especialmente às da sexta, não estou gostando.
uma amiga me ensinou na véspera do meu primeiro dia: utilize os ensinamentos da supernanny e do encantador de cães. eu acho que a supernanny está correta nas suas aplicações behavioristas totalmente out na faced. mas acho isso cansativo demais. a criança não quer ficar sentada, você pega a criança pelo braço e a coloca de novo no banquinho. ela levanta. você pega ela pelo braço e a coloca de novo no banquinho. ela levanta. você pega ela pelo braço e a coloca de novo no banquinho. e assim por diante, indefinidamente.
sempre que eu assistia a supernanny eu pensava que em alguns casos o melhor seria os pais desistirem de seus fihos pentelhos e começarem tudo de novo, do zero. recuperar seria muito trabalhoso.
bom, dar aulas pra quinta série é ter 30 destes durante duas horas. e ter de levar todos eles até suas classes e sentá-los, tantas quantas forem as vezes que eles levantarem. e eles fazem isso juntos. é como um daqueles jogos de atari, tu recolhe um, já tem outros 30 saindo do lugar de novo.
eu pretendia tomar isso como uma experiência antropológica, mas, na verdade, eu estou odiando. espero nunca mais ter de aulas pra crianças de novo.

11.1.11

124. telefonema estranho

desde que temos nosso número de telefone atual, fiz o seu bloqueio no site do procon pra evitar que empresas de telemarketing fiquem enchendo o saco.
assim mesmo, de vez em quando recebo algumas ligações não identificadas, que me impedem de fazer a devida denúncia. hoje, pontualmente às 9 horas, me ligou o número 51 21080600. eles me perguntavam se eu era anísio bernardin. se eu fosse, devia discar 1. se eu conhecesse, devia discar 2. se eu não fosse nem conhecesse, devia discar 3. em seguida, a ligação foi interrompida, sem nenhuma identificação.
fiz a denúncia mesmo sem saber de quem era. e resolvi postar aqui pra quem, como eu, resolver procurar o número do google quando receber o mesmo tipo de telefonema.

30.6.10

109. ironia

hoje estava lendo um blog sobre animais resgatados na rua e acolhidos em casas de passagem até que alguém os adote.
eram vários casos, gatos, cachorros, com doenças, castrados etc. lá pelas tantas surgiu a irônica história de um cão chamado beethoven. beethoven foi internado numa clínica e, lá, brigou com outros cães, tendo seu ouvido mutilado. a veterinária responsável, ao que parece, não tomou as providências necessárias e ele acabou mesmo surdo de um ouvido.
achei super irônico isso. parece que o nome o amaldiçoou.

25.6.10

105. um dia no centro de porto alegre 2

fiquei tão empolgada em narrar o trajeto do C3 que esqueci o objetivo central deste post. fui até um café do centro esperar pela minha prima. para não usufruir do espaço sem nada consumir, optei por pedir um expresso. logo após pedir, solicitei um banheiro onde eu pudesse lavar as minhas mãos.
- ali atrás tem um. pode usar.
a primeira coisa que vi foi uma barata sendo comida por formigas. horrível a cena, mas já era de se esperar que estabelecimentos servindo comida no centro da cidade fossem acometidos por esses males. porém eles bem que podiam ter varrido a barata dali, né?!
imediatamente lembrei do expresso que havia pedido. em outros tempos, quando eu era mais inocente do que sou agora, eu pensaria que a máquina de café garantiria a intergridade sanitária do mesmo. mas após lembrar do café, lembrei da priscila:
- tu sabia que é comum encontrarem pedaços de baratas em máquinas de café? uma vez uma guria vomitou por causa disso.
não, eu não sabia, e preferia nunca ter ficado sabendo disso. a história inteira conta que insetos de tipos e tamanhos variados costumam se aglomerar em máquinas de bebidas - não apenas as de café, mas também é comum nas de refrigerante.
resolvi sentar numa mesa de frente pra rua e esquecer dessas histórias todas. esperei estoicamente pelo tal café, que foi trazido em seguida por uma atendente de mãos muito, mas muito molhadas (o que não quer dizer limpas). ao inclinar-se ao meu lado para depositar a xícara sobre a mesa, ela olhou muito de perto e com os olhos muito fixos em mim e disparou:
- onde que tu mora?
fiz que não ouvi, agradeci. ela se aproximou de novo, inclinada, e, mais uma vez:
- onde que tu mora?
como assim onde eu moro? senti-me ameaçada.
- moro em porto alegre.
- ah tá... é que tu parece com uma guria lá de alvorada.
- é que eu já morei em alvorada.
- então é isso.
era só isso. a mulher me conhecia de alvorada.

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sendo vitimada pelo expresso, acompanhava o movimento na rua.
uma mulher que tinha por volta de quarenta anos e que provavelmente trabalhava em outra espelunca insalubre das proximidades, vinda provavelmente, em condições péssimas de transporte, de alguma cidade da periferia da região metropolitana, parou diante do tal café onde eu estava e, fumando um cigarro, buscou o contato com a atendente de mãos molhadas que havia me atendido.
- e aí... - de vez em quando ela assoprava fumaça pra cima, meio rindo, meio tremendo - o meu amigo nunca mais apareceu aqui.
- ah não?
- não... o que será que houve? - já mencionei que havia uma certa e quase imperceptível tensão nessa mulher, que se manifestava com um tremelico no canto da boca, enquanto ela fingia sorrir?
- ah... tem gente que não vem muito seguido pro centro...
- pois é...
ela ainda fumava. dava pra ver que ela estava totalmente interessada naquele assunto, mas a outra não. dava pra ver que era um assunto realmente importante pra ela. de repente:
- ele até me deixou o telefone... mas eu não quero ligar. acho chato gente que fica em cima, insistindo...
o sorriso nervoso persistia. o sorriso falava mais do que ela. era uma mulher com uns quarenta anos, teria ainda pouco tempo de se arrumar com alguém. e esse cara parecia estar dando bola pra ela, parecia mesmo, ela alimentou esperanças. ela acreditou que era isso e isso talvez tenha feito a vida dela ser melhor. mas o cara simplesmente nunca mais apareceu.
- se ele não aparecer mais, vou ligar.
ela sabia que ele não queria nada com ela. mas ela não podia se confrontar com essa verdade. ela sabia que não devia ligar, mas precisava fazer alguma coisa por aquilo. o centro de porto alegre pode ser muito profundo.

1.4.10

81. penteados de casamento

não, eu não estou olhando sites de casamento.
na verdade, tenho me interessado por blogs sobre decoração para pobre, com instruções sobre como encontrar ótimas peças para a sua casinha em lojas baratilhas, de um e 99 e afins. obviamente, tenho feito isso porque nossa casa AINDA está parecendo um depósito e ontem o alexandre deixou por aqui um orçamento de móveis beeeeeem salgadinho. além disso, conto com uma variedade incrível de lojas do gênero aqui mesmo, no bairro - dentre as quais o destaque vai, claro, para o bazar londres (desde 1980!).
enfim, indo de blog em blog acabei caindo em um com um post sobre um site americano cujo assunto principal são penteados de casamento. lembrei-me imediatamente da flávia, que tem estado demasiado atucanada com seu wedding ultimamente, quem sabe esse site não é capaz de acalmá-la?
vou deixar a dica: http://www.weddinghair.com/
para dar aquela vontadezinha de ir visitá-lo, deixo uma palhinha, daquelas beeem sarcásticas, com o que você é capaz de encontrar:

desculpa gente, mas essa última aí é o noivo?!
eu sei que é uma merda as pessoas verem suas fotos assim, na internet, mas essas "dicas" passaram dos limites, né?

8.2.10

74. das resenhas de hotéis enquanto gênero narrativo de interesse

última semana passei em campinas, com o desenho.
deveríamos tê-la passado no famigerado kitnet do carlão, alugado por mim, não fosse o triste fato deste ter ficado completamente mofado nos dois meses em que estive ausente.
afora mais uma eloquente prova da hospitalidade paulista, oferecida tanto por rafaela quanto por giovani, outro importante ganho da fatídica viagem foi a descoberta de um interessante gênero narrativo ainda por mim desconhecido: trata-se das resenhas de hotéis.
à procura de uma pousada ou hotel barato em campinas onde pudéssemos ficar, utilizei, obviamente, os serviços prestados pelo google neste ramo, contendo o mapa com a localização do hotel e, eventualmente, resenhas escritas por outros usuários. é brilhante. após algum tempo, já não mais me dedicava a buscar um hotel onde pudéssemos ficar, mas sim a apreciar as impressionantes descrições de situações as mais escabrosas vividas em hotéis, pousadas, motéis e pensões campineiras.
em geral rico em adjetivos, tal gênero também se caracteriza pelo detalhamento do estado psicológico da pessoa que ousou se hospedar em certos locais. o agravamento do estado de tensão se dá, normalmente, após o contato com as miseráveis acomodações, com o aspecto insalubre dos móveis, roupas de cama e/ou instalações sanitárias, ou com o despreparo dos atendentes.
o narrador é, comumente, alguém que sofre ou sofreu graves intempéries nas mãos de uma rede hoteleira precária e que se solidariza com outras possíveis vítimas de tal estado de coisas, optando por relatar literariamente sua experiência, tentando dar ao leitor, pela via de uma escrita densa e contundente, ao mesmo tempo descritiva e psicológica, embora curta, um retrato preciso das situações que viveu.
deixo para apreciação pública, os linques de alguns dos meus favoritos:
motel em campinas 1
motel em campinas 2
hoteleco simpático em porto alegre 1
hotel do centro - porto alegre 2

18.11.09

73. bourdieu em alvorada?!

"não contentes em não deter pelo menos alguns dos conhecimentos ou maneiras valorizados no mercado dos exames escolares ou das conversas mundanas e em não possuir senão habilidades ou saberes que não têm nenhum valor nesses mercados, não contentes, em resumo, em estar despojados do saber e da boa educação, eles são ainda aqueles que 'não sabem viver', aqueles que mais se sacrificam pelos alimentos materiais, e pelos mais pesados, mais grosseiros e os que mais engordam - pão, batatas e gorduras - pelos mais vulgares também, como o vinho; aqueles que destinam menos ao vestuário e aos cuidados corporais, aos cosméticos e à estética; aqueles que 'não sabem descansar', que 'encontram sempre alguma coisa para fazer'; que vão fincar sua barraca nos campings superpovoados, que se instalam para fazer piquenique à beira das estradas, que se metem com seu renault 5, ou seu simca 1000 nos engarrafamentos das saídas de férias, que se dedicam aos lazeres pré-fabricados concebidos em sua intenção pelos engenheiros da produção cultural em massa; aqueles que, por todas essas escolhas tão mal inspiradas, confirmam o racismo de classe, se for preciso, na convicção de que não têm senão aquilo que merecem."

9.7.06

18. final

maldita final da copa, q estou assistindo. nem mesmo essa alegria. odeio esses intelectuais q odeiam futebol de forma pretensiosa. eu quero q esse jogo fique empatado pra sempre e se declare q desta vez não teremos nenhum vencedor. pq eu não quero q frança vença, não, a frança ganhou de portugal. e tb não quero q a itália vença. a itália, se vencer, encosta com o brasil em número de títulos. e os jogadores já se acham bonitos demais pra terem ainda mais coisas pra se vangloriarem. além disso, os nomes deles não são verossímeis, dá pra ver q alguém inventou isso tudo. luca toni rárárá. ninguém se chama luca toni, a não ser em histórias em quadrinhos. em uma HQ eu posso imaginar um italiano forte chamado luca toni, jogador de futebol e sempre com a cara de uma estátua. mas é clichê demais pra ser a vida real, então eu não acredito q a seleção da itália exista realmente.
ah, todos sabemos. esse jogo deveria ser anulado. quem é q deseja assistir à itália e frança? certo, algumas mulheres, mas e além delas? quem mais?? um jogo sem nenhuma emoção, com ATORES em campo!! atores com nomes muito falsos fazendo de conta q são italianos!! ah, por favor...

ontem voltando pra casa senti outra vez as belezas do mundo real. a verdade nua e crua. peguei um VILA ELZA lotado. mas lotado como ninguém q mora em porto alegre pode imaginar o q seja. depois de mim entrou uma mulher com duas crianças e a porta não fechava. o motorista ficou ainda parado um tempo, forçando a porta contra as costas das três pessoas, mas foi em vão. é a física, não fecha mesmo.
então seguiram todos com a porta aberta mesmo. pelo menos entrava um ar, o q provavelmente ajudou um menino q estava sentado a conter a ânsia de vômito. ainda bem.

cássia entra no ônibus. recepção: senhora grita para o menino, q ela não conhece, não é filho dela - "se tu for vomitar me avisa, q eu desço!"

o melhor dessas situações é o sentimento de união e cumplicidade entre todos. em geral é quando a viagem de ônibus fica mais divertida, surpreendente. naquele momento, todos se conhecem e, contraditoriamente, se gostam. riem juntos. todo mundo se une contra o inimigo comum, no caso, a empresa de ônibus. sentimentos de identidade afloram violentamente.
alguns, mais exaltados, propõem rebeliões contra a empresa. tentativas malfadadas de insurreição ocorrem em locais isolados do ônibus. outros, misturam solidariedade com bom humor.

senhora tenta entrar no ônibus, mas é mal recebida por todos:
- sai daí! não cabe mais ninguém!
alguém [do sexo feminino] tenta considerar os dois lados da situação:
- a senhora não tem culpa pessoal! todo mundo quer voltar pra casa!
alguém [do sexo feminino] é mal recebido por todos:
- então deixa ela sentar no teu colo!
alguém [do sexo feminino] ainda reage:
- pode mandar ela sentar no meu colo, então!
todos riem. alguém [do sexo feminino] e os outros todos riem.

continuo torcendo pra q não saia gol nenhum. tomara q fique empatado, tomara. o luca toni no meu álbum tem cara de palhaço. o nariz dele faz ter essa impressão. a boca dele tb, é tão grande e vermelha. não acho q uma boca grande e vermelha seja sinal de sensualidade. o arrelia não era sensual.

tenho tido dificuldade em DEFECAR ultimamente. já tentei a sobrecarga de chocolate, mas tem sido em vão. certo, é desagradável.

tenho um plano para burlar as obrigações do mestrado. vou fazer apenas uma monografia, e não três como me foi solicitado. e vou entregar a mesma para todas as cadeiras, igualzinha, ainda q as três cadeiras tenham tido temáticas muito diferentes. para convencer os professores de q a monografia entregue a eles tem relação com o assunto estudado ao longo do semestre, colocarei nas referências bibliográficas os livros trabalhados em sala de aula.

"a itália tem um problema muito sério de meio-campo"
pênalti não marcado para a frança.

estou começando a ficar triste por ter q continuar este post. não é o quero pra minha vida. vou encerrá-lo.