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1.4.10

83. pechinchas

sempre tive uma adoração kitsch pelo kitsch.
lembro da vez em que eu, os velhinhos e o joão fomos a cambará - onde minha mãe viveu toda sua infância - e paramos num restaurante que parecia ser parte da própria casa das pessoas. tinha de tudo que tu puder imaginar pendurado pelas paredes: panos de pratos variados (em geral bordados e pintados por alguém dali mesmo), panelas, flores de plástico poeirentas, cabeças de bonecas e de bichos de plástico, coisas de plástico em geral, coloridas e penduradas. teias de aranha também, of course.
mais ou menos como nessa foto de joão urban, só que com MÓITO mais coisas:


todo o restaurante era assim.
a casa da minha vó era assim, e a do meu tio nelson, lá de cambará, idem. minha mãe curte também esse monte de penduricalhos. não sei se vou tãããão longe nas minhas concepções estéticas, mas igualmente gosto de certo tipo de objetos ou composição que passa por essa linha "interior do brasil". incluí, contudo, outros elementos. o quadro do maradona na cozinha é um pouco isso, mas é um "isso" já com os tais outros elementos, eu acho.
enfim, não vem ao caso agora, de todo modo. o foco deste post é que descobri, como já havia anunciado, alguns blogs bem interessantesinhos, cujo assunto principal é a reflexão sobre decoração construída por meio de pechinchas.
selecionei os dois melhores, na minha opinião.
o primeiro trata da busca por objetos de um e 99 ou assemelhados que possam garantir uma decoração divertida e afinada com os donos da casa. valoriza os excessos a la almodóvar e relíquias feitas de plástico, privilegiando as flores e os potinhos. também tem um quê de buscar objetos antiguinhos, ou que te capturem pela memória de bons momentos vividos, como estas xicarazinhas e travessas, iguaizinhas (estas últimas) às que minha mãe usava. na verdade, olhando bem, a da minha mãe não aparece nesta foto, não.

achei lindo e tem a vantagem de a moça escrever bastante bem.
o segundo trata de decoração de uma forma mais geral, mas priorizando aquilo que de fato pode ser tentado na sua casa. em muitos casos, quando o objetivo é esse, a pessoa apresenta banquetas feitas de garrafa pet ou outras tentativas de reutilização do lixo. não é o caso aqui. a moça também escreve muito bem e se interessa por mais uma série de assuntos bacanas, apresentando-os todos associados ao tema principal do blog. há uma tendência maior do que o primeiro a  propor reflexões sobre estilos de decoracão e suas respectivas matrizes, devidamente historicizadas. não vejo isso como um problema, ao contrário, acho que dá consistência ao blog. entretanto, as fotos são normalmente reapropriadas da internet, em vez de, como no caso do primeiro, serem em sua maioria fotos das bugigangas adquiridas pelas lojinhas. eventualmente aparecem fotinhos como esta:



me inspirei e adquiri bugiganguinhas lindas na feira de antiguidades do mercado público e no bazar londres (obviamente). outra hora mostro aqui. não sei bem como comecei no kitsch e vim parar aqui, passando pela casa da minha vó e pelo restaurante de cambará, mas ok. curto uma ilusão biográfica de vez em quando.

23.2.10

75. como combater uma invasão de formigas

o apartamentão sofreu com uma invasão destes pequeninos seres, que sempre parecem tão simpaticos.
o primeiro foco da invasão foi, obviamente, a cozinha, muito embora algumas isoladas tivessem sido vistas em cômodos diversos anteriormente. mas na cozinha a coisa foi diferente. elas tomaram o balcão azul, depois infestaram a parte inferior do balcão branco, tomaram o inox da pia. chegaram a formar pequenos núcleos de ação na beirada da janela, onde resplandescia o fofinho pote de mel em formato de ursinho, adquirido no super barão.
tivemos receio de que a invasão se alastrasse. foi quando percebemos o aumento populacional das habitantes do banheiro e algumas trilhas irrecorrentes no quartinho da frente. isso foi na semana anterior à nossa última ida para campinas.
na véspera da partida, resolvemos tomar uma providência, ou elas sitiariam o apartamentão durante a nossa ausência. adquirimos iscas para envenenar formigas domésticas no zaffari e, após uma limpeza minuciosa da cozinha, principal área afetada, as posicionamos em locais estratégicos.
ao retornarmos, a situação estava aparentemente controlada, mas bastou alguns poucos dias de comilanças e sujeira para que se retornasse ao ponto inicial.
buscamos, então, ajuda do google. era a última solução possível. e é por isso que resolvi redigir este post sobre os modos mais eficazes de combater as pequenas e inofensivas formigas. nada (ou quase nada) do que diz o google funciona realmente.

1. jamais compre as famosas iscas para formigas. elas sabem muito bem do que se trata e desviam sua trilha dos locais onde você colocá-las. lembre-se: as formigas pensam como você. um quadradinho preto te parece atrativo? nem a elas. se quiser colocar iscas para atraí-las - o que pode ser um bom começo -, coloque algo que você mesmo comeria, lutaria para comer, perderia a racionalidade só para ter aquele delicioso sabor sobre suas papilas gustativas: um pudim, um copo de nescau ou de coca-cola, cobertura de chocolate, um pote de chandelle.
2. é conversa fiada essa história de colocar detergente de louça sobre as fendas do chão ou da parede por onde as trilhas delas passam. o método mais eficaz de destrui-las, quando estão nas suas longas e populosas trilhas, é sobrepujá-las com sua superioridade física. uma boa chinelada sobre o acúmulo de formigas da trilha mata de forma rápida e certeira.
3. embora não seja ecologicamente correto, a maneira mais eficaz de provocar a desunião e desorganização dos clãs formiguísticos é jorrar mortein diante das portas e janelas da casa a fim de impedir que elas entrem. não foram testados outros venenos para insetos, mas este teve sua eficácia comprovada.

diante das dicas anteriores, cabe agora propor um elaborado e estratégico plano de ação, afinal de contas você pertence a uma espécie racional, ao contrário daqueles seres inferiores, pequenos e invertebrados que são as formigas.

1. em primeiro lugar, não tenha pena delas. não tenha dó de matá-las. elas, ao contrário de você, não têm ética e não estão minimamente preocupadas com o problema da superpopulação da espécie delas, nem se elas estão ou não interferindo no seu ecossistema. se você permitir, elas tomam a sua casa de forma ordenada e sistemática, se proliferando em meio às suas guloseimas. em breve estarão dividindo o mesmo prato de comida que você suou muito dentro de um sistema capitalista para adquirir e preparar.
2. faça o seguinte: plante uma isca em local estratégico. não precisa ser um local que já esteja tomado por elas, pode ser um local mais afastado, se você preferir. coloque, por exemplo, uma colherinha babada com iogurte de chocolate ou com restos de nescau, como se você a tivesse esquecido naquele local. creia, elas vão cair nessa com tudo.
3. calma e serenamente dirija-se a outra peça da sua casa. leia um livro, aprecie a vista da janela, dê um passeio, assista a um bom filme. desfrute da boa vida que você leva. isso é pra dar tempo delas morderem a isca.
4. após o seu tempo de relaxamento, retorne ao local da isca. repare que elas estupidamente se aglomeraram sobre a colherinha babada por você, recolhendo avidamente os restos de açúcar que você desprezou. seja racional e calculista. olhe mais detalhadamente. você verá a looooooooonga trilha de formigas se dirigindo à colherinha "esquecida". elas não só se amontoaram sobre a colherinha, como chamaram as amigas para fazerem o mesmo. siga a trilha e veja onde ela principia: você terá a origem da colônia. pode ser que a trilha venha de algum local longínquo da rua. melhor pra você.
5. a primeira coisa que você tem de fazer, então, é neutralizar a área interna de sua confortável residência. coloque mortein na divisória do local por onde elas estão entrando em seu lar, para impedir que elas prossigam com seu intento nefasto (pode ser uma porta, uma janela, o local que você idenficou após minuciosa inspeção da trilha). veja que, após a aplicação do poderoso veneno, elas se desorientam, não sabem mais como reagir. é aí que você, mais esperto do que elas, deve tomar a frente.
6. pisoteie todas as formigas que puder. soque-as, se estiverem sobre a parede ou outra superfície alta. mate quantas você puder e todas as que localizar.
7. pronto! sua casa está protegida! você impediu a entrada delas em casa pelo isolamento da área de infecção (porta, janela etc) localizada com o reconhecimento da trilha; e ainda matou todas as que já estavam dentro de casa!
8. repita a operação quantas vezes forem necessárias, conforme elas forem tentando entrar em outros cômodos de sua casa.

21.8.09

42. rendendo-se

ok, já que hoje admiti publicamente que não trabalharei e não produzirei nada acadêmico, mesmo sujeitando-me a um doloroso arrependimento muito em breve, rendo-me a mais um post. e nada garante que este será o último do dia.
já que mencionei o apartamentão e, logo após, desviei-me embaraçosamente do assunto, publicarei uma foto da fachada da prédio:
 
lindo, não é mesmo? todinho azul da cor do mar.
a nossa janela será aquela do meio, a fechadinha. 
logo mais é possível que me ausente, o que evitaria o constrangimento de mais uma postagem no mesmo dia. acho que abrirei mão das tortinhas de frango que não suporto mais e comerei uma pizza gordurosa.
para fechar este dia inútil, eu talvez venha a me deleitar assistindo "até os anões começaram pequenos", filme pelo qual fiquei bastante interessada ao tentar sincronizar as legendas. não que ele não fosse interessante antes; o simples fato de ter anões já torna um filme interessante. assim como ter o ben stiller, ou o owen wilson.
 

40. aquele apartamentão

aquele apartamentão está quase pronto.
quase mesmo, falta só pintar (uma última demão de tinta) e lixar o parquê. no meio do mês que vem a sorrento vai colocar a cozinha, lindíssima, toda em fórmica na cor azul francês.
esta cozinha, aliás, foi um martírio. onde encontramos pessoas competentes que fazem móveis? será que ninguém nunca ouviu falar em fórmica, fórmica de verdade, a marca em si???
eu falava que queria em fórmica e me entregavam a paleta de cores de um laminado qualquer! era como se eu pedisse um nescau e me dessem um toddy, sabe?
também já inventei 1.845.984.287 de tipos diferentes de bancada para banheiro e confesso que talvez encontre no desenho e fabrico de objetos de decoração um tranquilo e agradável hobby. é pena, contudo, que tal atividade não esteja entre aquelas que a CAPES e o chalhoub avaliem como produtivas para o bom desenvolvimento de uma tese de doutorado.
em outro momento da vida já fiquei muito entusiasmada com o trabalho no arquivo e a produção de tabelas e bancos de dados, mas quem pode controlar as paixões, afinal? já faz um bom tempo que não tenho estado motivada a encarar as centenas de páginas do livro sobre escritores e nem mesmo franco moretti tem sido capaz de me animar. hum, porém agora a menção de seu nome me seduziu um pouco...
posso afirmar sem medo que a ideia de elaborar mapas sobre literatura e inferir coisas valendo-me de um sofisticado banco de dados me é bastante aprazível. não sei exatamente o que me impede de fazê-lo. tendo a apostar no clima, mesmo que me desvie perigosamente para uma crença no determinismo climático. a ausência do desenho poderia também ser uma boa razão para meu desânimo, mas creio que a presença dele igualmente me desmotivaria a fazer meu trabalho.
acho que preciso esgotar-me de fazer outras coisas até ansiar pelo retorno às atividades socio-mapístico-literárias. e torcer pra que o sol volte a brilhar em campinas - se eu não me animar, pelo menos a calça que está há uma semana no varal pode secar.